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9 de dezembro de 2009

"deixa-me sentar numa muvem..."


Claridade dada pelo tempo

I

Deixa-me sentar numa nuvem
a mais alta
e dar pontapés na Lua
que era como eu devia ter vivido
a vida toda
dar pontapés
até sentir um tal cansaço nas pernas
que elas pudessem voar
mas não é possível
que tenho tonturas e quando
olho para baixo
vejo sempre planícies muito brancas
intermináveis
povoadas por uma enorme quantidade
de sombras
dá-me um cão ou uma bola
ou qualquer coisa que eu possa olhar
dá-me os teus braços exaustivamente
longos
dá-me o sono que me pediste uma vez
e que transformaste apenas para
teu prazer
nos nossos encontros e nos nossos
dias perdidos e achados logo em
seguida
depois de terem passado
por uma ponte feita por nós dois
em qualquer sítio me serve
encontrar o teu cabelo
em qualquer lugar me bastam
os teus olhos
porque
sentado numa nuvem
na lua
ou em qualquer precipício
eu sei
que as minhas pernas
feitas pássaros
voam para ti
e as tonturas que a planície me dá
são feitas por nós
de propósito
para irritar aqueles que não sabem
subir e descer as montanhas geladas
são feitas por nós
para nunca nos esquecermos
da beleza dum corpo
cintilando fulgurantemente
para nunca nos esquecermos
do abraço que nos foi dado
por um braço desconhecido
nós sabemos
tu e eu
que depois de tudo
apenas existem os nossos corpos
rutilantes
até se perderem no
limite do olhar
dá-me um cigarro
mesmo que seja só um
já me basta
desde que seja dado por ti
mas não me leves
não me tires
as tonturas que eu teria
que eu terei
sempre que penso cá de cima
duma altura vertiginosa
onde a própria águia
nada mais é que um minúsculo
objecto perdido
onde a nuvem
mais alta de todas
se agasalha como um cão de caça
leva-me a recordação
apenas a recordação
da vida martelada
que em mim tem ficado
como herança dada há mil e
duzentos anos

deixa que eu fique
muito afastado
silencioso
e único
no alto daquela nuvem
que escolhi
ainda antes de existir


II


Deixa que eu quebre tudo que tenho e que terei
tudo o que é de todos e que só a mim pertence
deixa-me quebrar o cavalo que me deste
na noite do nosso primeiro encontro
deixa-me partir a bola o cão o espaço
deixa-me quebrar a minha casa e a minha cama
a minha única cama
não quero que me contem a aventura
nem que me dêem almofadas
não quero que me ofereçam sombras
só por mim construídas e logo abandonadas
nem sequer esquinas de ruas
não quero a vida
sei claramente que a não quero
a não ser que ela esteja partida quebrada
quebrada por mim e por ti
e a minha infância
essa dou-ta
inteira muito longa e cruel
deixa que dela me fique apenas
essa crueldade
e que nela só eu siga
ignorando o que me deste
e que
martelo ou pedra
eu continue partindo quebrando
esfacelando dilacerando
o teu corpo que já não está ao meu alcance
deixa-me ser anatomicamente autêntico
sem erro
sangrando
perdido para sempre


III


Viver com a crueldade
da criança que
tira os olhos ao pássaro
.
um desconhecido
movendo-se constantemente
no deserto
em que cada pegada deixa
bem marcada na areia
a imagem
dessa outra existência
em que a morte e a memória
ainda nada significam

mais alto

muito mais alto talvez
que a claridade
do voo das aves que
partem para o desconhecido

o próprio corpo nada mais é
do que a sombra
bem simples por sinal
em que,
por erro nosso ou dos outros,
já não existe
a persistência do que
foi perdido

e as mãos
as mãos que sentimos
bem presas seguras aptas
essas
todos sabemos
que podem ainda cada vez mais
esmagar com cuidado
com extremo cuidado
dilacerar suavemente

nos olhos
está o amor


IV


Simples como é
a claridade é a coisa
mais difícil de encontrar
talvez porque a distância que nos
separa longa muito longa
e nítida
seja a torre de chumbo do nosso
próprio isolamento
talvez porque sentir
o aparecimento da madrugada
seja a origem do desespero
sombra trópico lâmina
entre nós dois

ouve o que te digo
não esqueças os meus lábios
mesmo quando desfeitos
e a claridade
essa não a procures não nunca
deixa-a ir comigo
até ao esgotamento do meu sangue
até ao limite
do meu corpo em carne viva


V


Eu sei
que há um lugar por descobrir
um lugar tenebroso e cantante
como uma ponte de velhos manequins


o teu corpo
dois seios despedaçados
e o vento só o vento
soprado através
dos teus cabelos

(In Surreal Abjeccion(ismo)

MÁRIO-HENRIQUE LEIRIA

O Surrealismo na Poesia Portuguesa
organização, prefácio e notas
Natália Correia
2ª edição
frenesi
2002

23 de novembro de 2009

os autocarros



Os amigos são como os autocarros. Há sempre um para cada direcção que tomemos. Há amigos que partem e outros que nunca chegamos a apanhar. E há desvios e voltamos a apanhar o mesmo.
Muitas vezes não aproveitamos as viagens que fazemos juntos. Carregamos no botão da paragem antes do tempo e depois...

...depois, apanhamos o próximo!

21 de novembro de 2009

entre Pesquera e Ferreirinha e muito mais...



Há encontros ligeiros e há encontros importantes!
Esta fotografia regista um grande encontrão! Daqueles com mais de 3 ou 4 décadas desde a a primeira vez. Dos Bons, Bem regados e Bem comidos, com risadas e sem merdas!
Criado absolutamente por interesse!!! Interesse ou desejo em estarmos juntos e passarmos o melhor que pudermos esses momentos! E estamos a aprender a fazê-lo e por agora vamos continuar a repetir para atingir a excelência!

16 de fevereiro de 2009

Seeds of Science



O Prémio Seeds of Science, na categoria «Engenharia e Tecnologia», distingue o trabalho que a investigadora Elvira Fortunato da FCT tem desenvolvido na área de materiais semicondutores e electrónica.Recentemente, Elvira Fortunato foi a vencedora do primeiro prémio de Engenharia do European Research Council, que lhe atribui a maior bolsa jamais dada a um cientista português: 2,25 milhões de euros.Já este ano, Elvira Fortunato e a equipa de investigadores que coordena conjuntamente com Rodrigo Martins (seu marido) foram notícia em todo o mundo por causa de uma descoberta científica surpreendente: o transístor de papel.Foi no CENIMAT (Centro de Investigação de Materiais da FCT) que foi produzido, pela primeira vez, um transístor que integra uma camada de papel na sua estrutura. Uma descoberta que vem abrir um mundo novo de possibilidades: ecrãs de papel, etiquetas e pacotes inteligentes, chips de identificação ou aplicações médicas. Com a vantagem da nova tecnologia ser, além de barata, amiga do ambiente. Elvira Fortunato foi a vencedora do primeiro prémio na área de Engenharia do European Research Council (ERC), um dos galardões que se equiparam aos Nobel.E tudo isto se passa na minha terra. Parabéns à Elvira e ao Rodrigo. Gosto deles são fantásticos. Foram homenagiados pelo meu RTY Clube como Profissionais do Ano. Nada mais merecido.

13 de fevereiro de 2009

in a flu



Na terça feira fui fazer uma das coisas que profissionalmente mais prazer me deram fazer ao longo dos anos. Fui visitar uma obra.
Para quem, como costumo dizer, praticamente nasci no meio dos tijolos, é uma coisa muito pessoal.
O meu Pai começou jovem a sua vida profissional entre obras. Primeiro como fiscal autárquico, depois como promotor e mediador imobilário.
Talvez por isso me foi tão fácil iniciar a minha carreira profissional também por aí.
Aos 4 ou 5 anos já estava habituado a andar pelas obras e a ver crescer um prédio. Talvez por isso também o meu gosto por fazer acontecer as coisas.
Ao longo dos anos planeei, discuti e desenvolvi muitos metros quadrados de habitação, escritórios e comércio e finalmente as áreas de serviço e os postos de abastecimento. Estive na génese da abertura de avenidas, estradas e auto-estradas. atravessei quintas, desci ao fundo de escavações e galerias e subi ao topo de edifícios, muitas vezes "pendurado" naquelas gaiolas que assustam quem as vê de fora e não menos a quem lá vai dentro.
Botas de obra, colete refletor e capacete eram parte da tralha que estava sempre na mala do carro. Depois o Marketing e as vendas e no fim a gestão do património e o pós-venda. Um ciclo que só se completava quando visitava um dos espaços que tinha ajudado a conceber, fosse habitação ou terciário e o via humanizado pelos utilizadores finais, afinal para quem tinhamos trabalhado muitas vezes ao longo de mais de dois anos.
E era partir para outra. E tem sido assim desde há 25 anos.
Mas o que eu queria mesmo dizer era que na terça-feira fui visitar uma obra. Desta vez de um amigo. Um edifício de habitação com arquitectura cuidada e bom gosto nos acabamentos, com qualidade e soluções inovadoras, algumas das quais já a fazer escola. Fiquei orgulhoso de ser seu amigo.
Mas afinal tudo isto para dizer que me constipei. Gripei. Sei desde sempre que não há ambiente mais terrível para um "animal doméstico" do que uma obra sem rebocos e sem janelas.
Valeu a pena.

24 de dezembro de 2008

É Natal


Tenho por aí meia dúzia de amigos, a quem desejo o melhor do mundo, um Santo Natal e uns gramitas a mais na balança da nossa amizade.

1 de outubro de 2008

in


Nova escola aposta em método americano - Autismo. Terapia renova esperança dos pais.

O objectivo é tornar as crianças independentes em todas as situações. Rui começou uma nova etapa da sua curta vida. Tem três anos. É bem-disposto, meigo, mas muito parado. Desde os primeiros meses que os pais detectaram que havia algo de errado na criança. Há um ano foi conhecido o diagnóstico: perturbação no espectro de autismo.

O pequeno Rui é um dos primeiros seis alunos a frequentar o centro de terapias que ontem abriu no Colégio Campo das Flores, Lazarim (Almada). A esperança do pai tem o tamanho do mundo.
Sentado na carteira ao lado da técnica Mari Neda, que foi enviada pela escola americana ABA Real Sacramento, Rui mostrava as evoluções dos últimos meses apreendidas no próprio seio familiar, depois que os pais decidiram tirar um minicurso que lhes ensinou a estimular o filho.

Faz puzzles com três e quatro peças e já consegue colocar figuras geométricas nos locais apropriados. Cada passo certo é acompanhado de palmas pelos pais. Parece pouco? Mas não é. Resulta de um intenso e paciente trabalho que merece o elogio dos especialistas. É possível que a terapia do ABA, seguida nesta escola, consiga que Rui desenvolva vários conhecimentos até atingir a "total normalidade" quando dentro de dois anos chegar a sua vez de entrar no ensino dito normal.

- "Temos uma enorme expectativa, porque consideramos que este processo de ensino faz todo o sentido para crianças autistas. Elas precisam de muito apoio e assistência", sublinhou João Afonso, pai de Rui, assumindo que os mil euros mensais que vai pagar são "um investimento" no futuro da criança.

Segundo Mari Neda, o grande desafio do ABA, uma terapia intensa e rigorosa que vai funcionar cinco horas por dia no colégio de Lazarim, é a observação dos comportamentos das crianças, para que se encontrem soluções que conduzam os alunos à independência em todas as actividades.

O meu amigo JR está de parabéns pela implementação de mais esta aposta no seu colégio. Para mim é motivo de satisfação e orgulho no seu trabalho.


Obrigado.

30 de setembro de 2008

parece fácil...


Há pequenas coisas que nos deixam marcas que aparentemente fugazes são indeléveis e criam sentimentos que perduram indefinidamente.

Sem valor de comparação é como quem ouve uma musica no duche e a trauteia durante o resto do dia.

Às vezes guardo marcas de uma conversa...uma imagem...uma musica...um olhar.

E se por momentos escolhesse duvidar dos meus sentimentos são essas de que não me esqueço que me recordam que sei por onde vou.

Ouvi a musica Easy dos Commodores pela primeira vez em 6 de Agosto de 1976 em Tampa, FL - USA, ali no Golfo do México, no rádio de um Cadillac Coupé DeVille, dourado com capota em vinil , modelo desse ano e que conduzi contrariamente ao que estava estabelecido. Deu-me um gozo imenso fazê-lo e desse ficaram as marcas.

Lembrei-me disto porque ontém adormeci com uma pessoa no pensamento que até agora por aqui perdura.

Parece fácil...


Easy

Know it sounds funny
But, I just can't stand the pain
Girl, I'm leaving you tomorrow
Seems to me girl
You know I've done all I can
You see I begged, stole and I borrowed! (Yeah)

Ooh, that's why I am easy
I'm easy like sunday morning
That's why I'm easy
I'm easy like sunday morning

Why in the world would anybody put chains on me
I've paid my dues to make it
Everybody wants me to be
What they want me to be
I'm not happy when I try to fake it! No!

Ooh, that's why I am easy
I'm easy like sunday morning
That's why I'm easy
I'm easy like sunday morning

I wanna be high, so high
I wanna be free to know
The things I do are right
I wanna be free
Just me! Whoa, oh! Babe!

That's why I am easy
I'm easy like sunday morning, yeah
That's why I'm easy
I'm easy like sunday morning, whoa
'cause I'm easy
easy like sunday morning, yeah
'cause I'm easy
easy like sunday morning

by Lionel Richie - The Commodores

29 de setembro de 2008

sabe bem...




Numa primeira noite de chuva sabe bem... um Irish Coffee.

ingredientes:
1 dose de whisky irlandês (40ml), 1 colher de chá de açúcar, 3 colheres de sobremesa de creme de chantilly e 1 chavena de chá de café forte e sem açúcar

preparação:
Aqueça uma caneca para Irish Coffee em água quente. Após aquecer, misture na caneca o whisky, o açúcar e o café bem quente. Cubra com chantilly e sirva imediatamente.

nota:
O irish coffee é feito (sempre) com açúcar mascavado e nunca refinado! Não esquecer a decoração: um pouco de café moído sobre o chantilly e um grão de café no topo.


sabe bem...

21 de setembro de 2008

magnifíco

Que magnífico que é o Professor Doutor Manuel Ferreira Patrício.

Dos seus 3x18+15 anos (é uma forma de dizer) encerra uma capacidade humana de excepção.

na terça feira depois de jantar na sua companhia e de o ouvir falar de educação apenas consegui agradecer-lhe a grande habilidade que tem em transmitir com as suas próprias palavras o que nos vai por dentro.

É um pessoalista como haverá poucos. Talvez Adriano Moreira entre os vivos e uma quantidade de outros que já estão mortos...Sócrates, Kant e outros grandes filosofos.

Convém lê-lo e escutá-lo...tanto quanto se possa.
Obrigado Professor.


"Existem percursos de vida absolutamente singulares.
A Humanidade sempre nos surpreende!... Há sempre alguém que se projecta para além do insuperável. A cada passo somos confrontados com a existência de personalidades ímpares que marcam decisiva e determinantemente a nossa caminhada, o processo de crescimento de cada qual, nos planos pessoal, académico e profissional. Manuel Ferreira Patrício é uma dessas individualidades. Conhecemo-lo, convivemos com ele há décadas, apreciamo-lo. É uma alma rica e rara de transbordante humanidade e sabedoria. É uma personalidade multifacetada: filósofo, pedagogo, educador, musicólogo, amigo, em síntese, homo-culturalis"

in o sexo dos anjos

25 de junho de 2008

fabuloso mesmo


Acabo de receber uma boa notícia.

Dois bons amigos vão ser pais. Ele já o foi há alguns anos e tem duas miudas giras fruto de um amor anterior. Ela ainda não foi mãe.

Há quase dois anos na primeira vez que tentaram não tiveram sorte. Ficaram mesmo no quase. Mas foram fortes e como poucos continuaram a viver o seu amor e atrevo-me mesmo a dizer que o reforçaram e enobreceram.

São bons amigos e fiquei muito feliz com a notícia. O "brião" deles tem 3 meses. Desejo do fundo do meu coração que tudo corra bem e que seja puto! Eles merecem e nós que gostamos verdadeiramente deles, também.

Adorei receber a notícia.

Que BOM!

26 de dezembro de 2007

Boas Festas / Boze Narodzenie / Vrolijk Kerstfeest / God Jul / Merry Christmas / Joyeux Fêtes...poa, ooqsf!


Este ano não consegui entrar no espirito do Natal.
A coisa melhorou na véspera, como é meu costume, mas não foi suficiente forte para dar que fazer.
Deve ter sido de ter feito as compras todas a tempo e na véspera só me faltar comprar um borrifador para a roupa para que a minha Romena da Serra da Mina possa desempenhar as suas funções com a competência que é esperada.
Tudo isso e mais um par de caneladas, que magoaram só porque vieram dos únicos sitios de onde poderiam ter vindo, mas não eram nem desejadas nem esperadas...ou pelo menos não no contexto em que foram cirurgicamente aplicadas.
Isso não me impediu de desejar aos amigos um Feliz Natal e um ano 2008 cheio de loucura.

POA, claro...OOQSF!

As festas foram em casa da mana; 9 adultos incluindo 2 avós, 2 girls adolescentes de 18y e 3 boys de 5, 7 e 11y, 1 bacalhau, 1 perú, 1 cabrito, 25 litros de água, 7 garrafas de vinhos muito bons e diversos, 5 garrafas de champagne M&C, muitos queijos, patés, folhados, ....e doces em quantidade escandalosa - 3 dias que acabaram hoje.
Tudo muito bom que a malta é de bom gosto.
Para o ano há mais...

15 de novembro de 2007

47


Lia há dias num blog que esta coisa de blogar não é diário.
Não é relato nem é dia a dia. É quando um homem quer. Tipo Natal.
Ontém, 14, foi Natal. E o menino fui eu.
Depois conto.
Conto como foi, receber tantos carinhos, receber mimos de quem gosta de mim e de quem eu gosto.
É giro como crescemos e deixamos crescer ao nosso lado os afectos.
Já não ligo a quem não me quer bem e esses já perceberam. Não quer dizer que não haja excepções. A malta da mão no peito sempre aparece. Mas não lhes ligo.
Como dizia o JJ... - quando um gajo é novo e faz merda, dizem que que um gajo é maluco! Depois de uma certa idade, um gajo pode fazer umas merdas e a malta já diz que um gajo ...afinal é excêntrico.
Pois eu do alto dos meus poucos anos de vida deu-me para ser adolescente.
Apaixonado e crente... Na vida, nas pessoas de quem gosto, nos amigos de sempre que vale a pena manter e nos novos que aparecem por bem, e é tão bom fazer amigos novos.
Foram uns jaquinzinhos e pasteis num "escritório" de outras andanças na melhor companhia que podia ser.
Foram umas garrafas e um bolo de chocolate que já é "O meu melhor bolo de chocolate do Mundo", com a familia.
E parece que ainda foi ontém, pelas 04h00m, na Travessa da Praça depois de uma viagem de cacilheiro depois do Aníbal e os Elefantes.
Bora...ou dobro ou nada!

25 de setembro de 2007

amigos



Às vezes apetece ser Principezinho...


"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um rapaz inteiramente igual a cem mil outros rapazes. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- A minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens caçam-me. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu aborreço-me um pouco. Mas se tu me cativas, a minha vida ficará cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos fazem-me entrar debaixo da terra.
Os teus vão chamar-me para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem queria, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas para conhecer.
- Nós conhecemos bem as coisas que cativamos, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer mais nada. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu sentas-te primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu vou olhar-te com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é um dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não não ganhaste nada!
- Ganhei, disse a raposa, por causa da cor do trigo".


É bom fazer amigos.
Eu tenho e gosto deles.

21 de setembro de 2007

aniversário do "Amélia"



Hoje foi o aniversário do meu colega PC a quem carinhosamente é chamado "o Amélia".
Ele não liga. É bom rapaz. 34 anos.
Também foi uma oportunidade de me convidarem a estar entre alguns amigos, e efectivamente estiveram alguns dos que vale pena manter.
Pescadinhas, ovas e carapaus fritos, acompanhados pelo magnifico arroz malandrinho e pela excelente açorda da D. Fernanda.
Prenda a rigor.
Beijos para todas inclusive para "o Amélia".
Manifestações de carinho que sabem sempre bem.
A malta anda apreensiva.
Pudera!

19 de setembro de 2007

bem-meKer com muito carinho



Aconteça o que acontecer sinto que vou estar sempre próximo da K.
Hoje estava gira. Particularmente brilhante. Tem um sorriso muito bonito que mostra de vez em quando. Quando está bem, quando fala das ks. Quando...
É uma AMIGA. Uma companheira díficil de deixar. Uma mulher bonita e corajosa que ela nem sempre sente que é.
Sinto-me bem ao lado dela. Faz-me sentir a vida dentro de mim. Fmb.
É uma paixão grande.

Veio em meu socorro. Almoçámos, Falámos. Lembrei-me de um texto de Charlie Chaplin, de que gosto e que lhe disse que partilharia com ela.

É mais ou menos assim:

"Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já ri quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
caí e levantei-me,
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
apaixonei-me por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi,
e ainda vivo!
Não passo pela vida…E tu também não deverias passar!
Vive!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante"

17 de setembro de 2007

mais um


Fim de semana fantástico na Aldeia.
Sinto-me muito bem por lá. Repito-me uma vez mais.
Também me sentiria igualmente bem em qualquer outro lugar onde estivesse rodeado por estes amigos, mas é certo que por ali há encantos vários.
Obrigado ao meu irmão do coração e à Fá.
Mas este fim de semana foi ainda melhor porque foi inesperado em quase tudo.
Começou com um convite ao final do dia e foi seguido pelo anuncio da visita da K e ks.
Na praia foram mergulhos com os ks, cokie monster, gritos e brincadeiras várias.
Houve até quem reclamasse da falta do vendedor de bolas de berlim...há que ser mais assidua!
O António da praia (nome que ele próprio reclama) andava todo vaidoso por ter aparecido na foto publicada na Nova Gente.
O sol esteve quente, o vento quase ausente e o mar perto de morno e calmo.
Em casa com toda aquela luz que nos envolve e aquece, estive bem.
O pão da Sabores continua o diabo.
No sábado o Jantar, preenchido como em muitas vezes, perdeu em intimidade mas ganhou em diversidade.
A K igual. Os ks estiveram piratas como convém. Gostei de estar com eles.
O domingo foi de calma. Não me deixei seduzir pelo Monopólio e fiquei de sesta.
Depois foi cuca e amendoins com vista para o vale. Chuvada de pingas grossas, jantar e regresso a casa.
Foi bom.
Venham mais.
Até já começo a ter uma relação mais civilizada com a Bolão.
É o que eu digo...ando muito adolescente nos meus sentimentos...e gosto.

14 de setembro de 2007

se me olvidó que te olvidé



Comprei hoje um CD que se chama Lágrimas Negras.
Um encontro acertado da voz de Diego El Cigala com o piano de Bebo Valdés. Cinquenta anos de diferença, e milhares de Km de distância, entre o primeiro de voz cigana do Famenco e o segundo pianista Cubano.

São Boleros e ritmos Afro-cubanos com um cheirinho a Brasil, que há que ouvir para sentir.

Entre os nove temas escolho o sexto por me parecer apropriado para celebrar todos os que se afirmam o que não são.

Se me olvidó que te olvidé
by Dieguito El Cigala
letra de Lolita de la Colina

Yo te recuerdo cariño
mucho fuiste para mí
siempre te lhamé mi encanto
siempre te lhamé mi vida
hoy tu nombre se me olvida

se me olvidó que te olvidé
se me olvidó que te dejé
lejos muy lejos de mi vida
se me olvidó que ya no estás
que ya ni me recordarás
y volvió a sangrar la herida

se me olvidó que te olvidé
y como nunca te encontré
entre las sombras escondido
y la verdad no se porqué
se me olvidó que te olvidé

a mi que nada se me olvida

06 - Se Me Olvidó ...

31 de agosto de 2007

k

mfm?
Não resultou. Já não. Não apetece.

Vou passar a chamar-lhe K.

Na Wiki é assim:

Esta letra provém do grego Κ ou κ (Kappa) adaptado do Semita Kap, símbolo que representava uma mão aberta. Esta, por sua vez, com muita probabilidade teria sido adaptada por povos semitas que teriam vivido no Egipto, a partir do hieróglifo para “mão”, representando o som da letra D para os egípcios, pois ‘mão’ era pronunciada como d-r-t. Os Semitas, por sua vez, atribuiram-lhe o som /k/, pois o vocábulo que utilizavam para ‘mão’ começava com esse som.
Este som semita de /k/ para esta letra foi mantido na maioria das línguas clássicas e modernas, embora em Latim tivesse sido usado a letra C para o pronunciar. Quando as palavras provenientes do Grego foram assimiladas pelo Latim, o K foi convertido em C, embora o Latim já usasse o K para palavras provenientes do Etrusco, como por exemplo kalendae, “o primeiro dia do mês”, que deu origem à palavra calendário. Algumas palavras de outros alfabetos, foram também reescritas usando a letra C. É por essa razão que as línguas românicas utilizam o K apenas em casos muito particulares, como por exemplo em Português as palavras kantiano, karaté ou kart.
Em Portugal a letra K foi removida do alfabeto depois da revisão ortográfica de 1911.

K (cá ou capa) é uma letra do alfabeto fenício, kaph, transmitida aos gregos com o nome de kapa (Κ). Ela indica o som gutural surdo de C.

Significados de K:

símbolo químico do potássio (do alemão kalium)
Kelvin, a unidade SI de temperatura

Em economia, K é uma abreviação para capital.

Por sua vez, k pode ser kilo, o múltiplo ISO que representa mil.


Também representa a designação genérica de uma constante em uma equação.

Gosto desta última. Faz sentido. A mim faz.
Comigo vai ler-se e dizer-se "Kay", uma letra amiga, meiga e profunda de significados.
Fica K.